terça-feira, 31 de março de 2009

Preservativos em África: Artigo no "Washington Post" diz que Papa pode ter razão.

A distribuição de preservativos não está a ajudar a combater a Sida em África e pode, inclusive, estar a ter o efeito contrário. Quem o defende é Edward C. Green, um cronista do "Washington Post", citando estudos científicos.

Edward C. Green, um cronista do "Washington Post", sai em defesa da posição do Papa Bento XVI contra as campanhas para a utilização de preservativos como forma de combater a propagação do HIV/SIDA em África. Num artigo de opinião intitulado "O Papa pode ter razão", cita vários estudos científicos que indicam que os preservativos não estão a ter sucesso como forma primária de prevenção e que as campanhas podem mesmo agravar a propagação do vírus naquele continente.

Edward C. Green diz que as Nações Unidas ignoraram os resultados de um estudo que encomendaram a Norman Hearst e Sanny Chen, da Universidade da Califórnia, após em 2003 os investigadores terem concluído a não existência de evidências que os preservativos estivessem a resultar como forma primária de prevenção do HIV em África. O colunista diz que este dado tem sido refutado em diversos grandes artigos de revistas cientificas como a Lancet, Science e BMJ, referindo um artigo publicado no ano passado na Science onde 10 especialistas consideram que "o uso consistente de preservativos não atingiu um nível suficientemente alto, mesmo após anos de campanhas alargadas e agressivas para a sua promoção, de modo a fazerem descer o número de novas infecções e das epidemias generalizadas na África Sub-Sahariana".

Edward C. Green diz que ao contrário de países como a Tailândia e o Cambodja, onde a propagação acontecia sobretudo através da prostituição e foi possível instituir políticas eficazes de distribuição de preservativos nos bordeis, em África a situação é diferente.

Defende que isto acontece porque por um lado o vírus não está aí tão concentrado em grupos de risco, como prostitutas, homossexuais ou utilizadores de drogas injectáveis, por outro porque uma parte significativa da população tem diversos parceiros sexuais em curtos períodos de tempo. No Botswana, que tem uma das mais altas taxas de infectados dos mundo, 43% dos homens e 17% das mulheres indicaram ter tido relações sexuais regulares como dois ou mais parceiros no ano anterior.

O cronista vai contudo mais longe nas suas conclusões, diz que não só as campanhas não resultam porque não estão a levar ao uso generalizado do preservativo, ao mesmo tempo que as pessoas que os passam a usar normalmente podem por isso ficar mais confiantes para correr riscos em algumas ocasiões. Defende que a solução deveria antes passar por campanhas pela fidelidade, mesmo no caso de relações poligâmicas.

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