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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Foto do dia/Picture of the day.

Assinalam-se esta sexta-feira 8 anos sobre o dia que mudou o mundo. Para a História ficam perto de 3 mil mortos e as imagens de terror das torres gémeas em chamas e do pânico e incredulidade globais.Faz esta sexta-feira oito anos desde que um grupo de terroristas sequestrou quatro aviões comerciais, fazendo-os embater contra duas torres do World Trade Center, que acabaram por ruir, e contra o Pentágono. O quatro acabou por se despenhar em Somerset County, na Pensilvânia, mas as autoridades acreditam que o seu alvo seria o Capitólio.Enquanto o prometido Museu Memorial do 11 de Setembro tem inauguração marcada para 2012, as cerimónias desta sexta-feira visam lembrar os atentados e homenagear as 2751 pessoas que seguiam a bordo dos voos 11 da American Airlines e 175 da United Airlines, os dois que embateram nas torres gémeas de Nova Iorque. As cerimónias incluem a leitura dos nomes das vítimas e vários minutos de silêncio nas horas precisas dos embates dos aparelhos e do colapso dos edifícios.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Primeira escola funerária no país ensina psicologia do luto.

Ainda é um negócio de família, que passa de pai para filho, mas em Setembro o sector funerário abre a sua primeira escola, com aulas de psicologia do luto e "embalsamamento". Um passo para a profissionalização num ramo onde nem sempre o comportamento é exemplar.

Existem mais de mil agências funerárias em Portugal, mas apenas uma multinacional. "Este é um sector marcado por empresas familiares, micro-empresas que têm em média três funcionários", disse à Lusa Nuno Monteiro, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, (ANEL), que quarta-feira inaugura a Escola Funerária.

Nas empresas mais pequenas, os funcionários desempenham "vários papéis": "o escriturário pode ser também motorista", explicou Nuno Monteiro. No entanto, nos últimos anos tem-se assistido ao aparecimento de novos empresários "que querem mudar a mentalidade" e apostar na formação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Casamentos sem sexo.

Sabe que há casais que vivem felizes sem terem relações sexuais durante mais de meio ano?

Se há pessoas para quem o sexo é o sopro da felicidade há outras que passam bem sem ele. Sara e Jorge estão juntos há uma década e raramente têm relações sexuais. Casados, dois filhos, carreiras de sucesso, boa casa, saudáveis, bonitos, têm na intimidade um pormenor que os distingue, "Não fazemos amor há mais de seis meses.

Não sei bem porquê, simplesmente não nos apetece", confessa Sara. Uma situação que não se reduz aos últimos tempos. Na verdade, há vários anos que Sara e Jorge se entendem em todos os aspectos menos na cama. O mesmo acontece com Ana e Filipe Gonçalves. Conheceram-se há cinco anos, viveram meses tórridos de paixão, faziam sexo sem tabus e esqueciam-se frequentemente do mundo para lá do aconchego dos lençóis. Hoje continuam-se a amar-se mas não têm vida sexual.

Mas o que significa isto? É por causa da vida agitada de hoje? Da escassez de tempo que os casais têm para eles próprios? Da presença dos filhos? Saiba mais sobre este assunto na mais recente edição da Revista Única.

sábado, 11 de julho de 2009

Rádio promove espécie de "Ponto de Encontro" inqualificável.

Rádio australiana emite um programa que permite aos participantes verem familiares com quem tinham perdido o contacto há anos. Separados por um vidro, só se podem tocar depois de responderem a três questões. Se falharem nem haverá contacto!
A rádio australiana B105 emitiu ontem um programa que permitia a uma mulher reunir a sua família, caso respondesse correctamente a algumas perguntas. Uma espécia de "Ponto de Encontro", programa apresentado por Henrique Mendes na SIC na década de 1990, mas que deixa completamente de lado a questão humana e do sentimento dos participantes.

Evonne Zipf não tinha contacto com o seu irmão Anthony - que vive na Hungria - há 20 anos, enquanto este nunca tinha visto a sua filha de 17 anos e só soube da sua existência em 2007.

Terapeutas familiares chocados.
Especialistas em aconselhamento familiar ficaram chocados com a possibilidade de Evonne Zipf só poder ver o irmão Anthony - que viajou da Hungria para Brisbane, na Austrália, a expensas da rádio B105 - se acertasse nas perguntas que o programa tinha preparado para ela.

Chegado à Austrália, Anthony teve de esperar nos estúdios da rádio, atrás de um painel de vidro, sabendo que só se conheceria a sua filha e veria a sua irmã se Evonne não falhasse no questionário.

Com uma resposta correcta, Anthony poderia ficar por uma hora; duas respostas correctas davam direito a duas horas, enquanto se Evonne acertasse nas três questões colocadas, ele poderia ficar o tempo que quisesse.

Quem falhe tudo nem toca no parente.
Contudo, se a sua irmã não conseguisse acertar em nenhuma questão, Anthony seria imediatamente levado de volta para a Hungria, sem a possibilidade de haver qualquer contacto pessoal.

Depois de uma nervosa espera, acentuada pela transmissão de um bloco noticioso, Evonne conseguiu acertar em duas das três perguntas que lhe foram colocadas. A australiana não se lembrou de um dos dois desportos que Anthony praticava quando era mais novo, o que a fez entrar num choro convulsivo: "Desculpa! Desculpa! Não me lembrei do criquete. Sinto que desiludi todos".

Antes, Evonne tinha revelado aos apresentadores do "Dearly Deported" - assim se chama o programa -, entre lágrimas, que pensava que o seu irmão estava morto.

Camilla, co-apresentadora do programa, afirma que "foi fantástico" fazer parte da reunião temporária. É que, como Evonne não acertou em todas as perguntas, Anthony teria de ser enviado para a Hungria num espaço de 24 horas.

Robert Schweizer, professor da Escola de Psicologia e Aconselhamento da Universidade de Queensland, diz não querer acreditar que os responsáveis da rádio tenham tido esse comportamento. "Não posso crer que eles juntem membros da família com a ideia de 'há uma opção para se reunirem' e depois meterem-se no caminho dessa reunião", afirma o docente.

Judith Murray, da Universidade de Queensland e especialista em interrupção de relacionamentos, também defende uma opinião semelhante: "O respeito pelo afecto e pelas relações humanas é tão importante que não podemos fazer nada para as denegrir de forma alguma".

Rádio lava as mãos.
Um representante da B105 alega que os participantes do "Dearly Deported" conhecem as regras do programa quando aceitam participar e que a estação radiofónica tinha disponibilizado um conselheiro para trabalhar com os elementos da família caso Evonne não respondesse correctamente às perguntas durante o programa.

"Esta é uma oportunidade que Evonne e Anthony não tiveram na semana passada, no último ano ou nunca. É uma oportunidade para se reunirem que nunca teriam, claro que todos na B105 querem desesperadamente que acertem as três perguntas e, assim, ficarem com o bilhete de regresso em aberto durante um ano", explicou.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Australiana morre depois de doar rim à filha.

Uma mulher de 62 anos acabou por morrer um dia depois de ter doado um rim à filha de 29 anos. Na Austrália, até ao momento, só outra pessoa havia sucumbido depois desta operação... Penny Halbish foi a segunda.

Uma australiana de 62 anos doou um dos rins à filha Suzanne, de 29 anos. Este transplante, realizado em Melbourne, acabou por não correr bem e Penny morreu, de ataque cardíaco, um dia depois.
De acordo com os exames feitos antes da operação, Penny estava perfeitamente saudável. No entanto, esta australiana desenvolveu um coágulo de sangue após a cirurgia, e isso causou um ataque cardíaco fatal, explicou o filho, Philtes Halbish.

Phil disse que a família estava consciente dos riscos da operação desde o início, mas que haviam decidido fazer os possíveis e impossíveis para tentar salvar Suzanne, cuja doença renal estava a piorar.
Penny foi considerada a dadora ideal e, a partir desse momento, não hesitou em ajudar a filha.

"Estávamos todos muito apreensivos e nervosos. Quando soubemos do sucesso do transplante ficamos muito aliviados. Mas logo veio a má notícia (morte da mãe), o que é difícil de acreditar", contou Phil.

Suzanne, que recebeu o rim, está a recuperar bem da operação. No entanto, tem agora que conviver com a perda da mãe.

sábado, 20 de junho de 2009

Mulher suicida-se na piscina onde morreram dois filhos menores.

Um ano depois da morte acidental dos filhos menores, uma mulher norte-americana optou por pôr termo à vida morrendo afogada na mesma piscina.

Uma mulher suicidou-se na quarta-feira na piscina onde há quase um ano morreram afogados os seus dois filhos, informou o delegado de Saúde do condado de Dallas, no Texas, ao revelar os resultados da autópsia.

A mulher, identificada com Van Ha Stocco, de 35 anos, foi retirada da piscina pelo marido. Foi imediatamente transportada para uma clínica mas os esforços de reanimação foram inúteis, informou o subchefe da Polícia da localidade de Copell.

Van Ha faleceu pouco antes de perfazer um ano sobre a data da morte acidental dos seus filhos Marcus, de três anos e Catherine, de um. Ambos estavam à guarda do pai, quando saíram de casa e caíram na piscina no dia 8 de Julho de 2008.

Levados a um hospital, Marcus morreu naquele mesmo dia e Catherine no dia seguinte.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Velocidade do avião da Air France não seria a mais adequada.

O Airbus A330 da Air France poderia não estar a voar à velocidade correcta quando se deu o acidente, refere a imprensa francesa desta quinta-feira, sem adiantar se a velocidade estava acima ou abaixo dos limites aconselhados.

Segundo fontes da Força Aérea francesa ao Le Monde, o avião que caiu no Oceano Atlântico na passada segunda-feira não estaria a voar à velocidade certa, o que pode ter sido determinante.

"Um dos possíveis motivos do acidente, embora haja várias incógnitas, é o avião voar a uma velocidade incorreta sobre o Oceano Atlântico, numa zona de forte turbulência", cita o Le Monde desta quinta-feira, não informando, no entanto, se a velocidade estava acima ou abaixo dos limites aconselhados.

O jornal adianta que a Airbus deveria publicar esta quinta-feira uma recomendação a todas as companhias aéreas que utilizam o modelo A330, alertando para a necessidade de manter a potência e a posição correctas para manter o avião em equilíbrio.

Últimas mensagens do voo AF 447 anteviam tragédia.

Um funcionário da Air France revelou as últimas mensagens transmitidas pelo voo AF 447, que acabou por se despenhar no Atlântico. Tudo levava a crer que estava prestes a acontecer uma tragédia. Quatro minutos foram suficientes para que o pior se confirmasse.
Quatro minutos bastaram para que a tragédia se desse. O voo AF 447 da Air France enviou uma mensagem manual à Air France que dava conta dos primeiros problemas. Eram 3h00, em Lisboa. O inevitável estava prestes a acontecer...

A primeira mensagem alertou a companhia aérea francesa de que estava a passar por uma zona de forte turbulência.

Às 3h10, é enviada uma mensagem automática que dizia: "piloto automático desligado". A seguinte dava conta de uma falha eléctrica.

Às 3h12, entraram em colapso dois sistemas.

Às 3h13, surgem duas novas falhas, uma no computador principal e outra no sistema auxiliar para aterragem.

Às 3h14, a Air France recebe a derradeira mensagem: "cabina em velocidade vertical". As causas de todas estas falhas ainda estão por explicar, mas o desfecho, infelizmente, já é do conhecimento público... perderam-se 228 vidas no meio do Atlântico.

sábado, 2 de maio de 2009

Ayrton Senna: O 'mago' da Fórmula 1 morreu há 15 anos.

Um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1 e um verdadeiro 'mago'sob chuva ou em qualificação, o brasileiro morreu após uma violenta colisão no circuito de Imola.

Perfeccionista, metódico, determinado, persistente e individualista - estes eram alguns dos traços do carácter do brasileiro Ayrton Senna , um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1 e um verdadeiro mago sob chuva ou em qualificação.

Conhecido como Beco em família, Harry durante o seu percurso nas categorias de promoção na Grã-Bretanha, ou simplesmente Mágico no "Grande Circo" da Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva nasceu em Santana, no estado de São Paulo, em 21 de Março de 1960 e morreu em Imola, Itália, a 01 de Maio de 1994, aos 34 anos.

Faz hoje 15 anos, uma falha mecânica - a ruptura da coluna da direcção - lançou o Williams-Renault de Senna contra um muro de betão na curva Tamburello do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, na sétima volta do Grande Prémio de São Marino, terceira prova do Campeonato do Mundo.

Senna, campeão do Mundo em 1988, 1990 e 1991, rolava a cerca de 310 km/h e a colisão violenta foi inevitável. Com graves lesões cerebrais, provocadas pela perfuração do crânio por um tirante da suspensão, acabaria por ser declarado morto pouco depois de dar entrada no hospital Maggiore, em Bolonha.Fim-de-semana trágico para a F1. Este foi um dos fins-de-semana mais trágicos da história de Fórmula 1: cerca de 25 horas antes tinha morrido o austríaco Roland Ratzenberger, que aos 31 anos disputava o seu terceiro Grande Prémio, quando o seu Simtek-Ford embateu a 315 km/h contra um muro de betão na curva Villeneuve, após perder uma parte da asa dianteira.

Sexta-feira, na primeira sessão de qualificação, o Jordan-Hart de Rubens Barrichello descolou na Variante Baixa, a cerca de 200 km/h, embateu nas redes de protecção e capotou três vezes, deixando o piloto brasileiro inconsciente e impedido de alinhar na corrida, devido aos ferimentos sofridos, entre os quais uma fractura no nariz.

Mas a corrida também começou mal, pois na largada o português Pedro Lamy não conseguiu evitar que o seu Lotus-Mugen Honda embatesse violentamente na traseira do Benetton-Ford do finlandês J.J. Lehto, que ficara parado, e a colisão lançou uma roda para as bancadas, o que provosou ferimentos em quatro pessoas.

Este acidente ditou a entrada em pista do safety car, que controlou o ritmo do pelotão até à sexta volta, pelo que Senna realizava a sua primeira volta lançada quando se despistou.

Mais tarde, perto do final da corrida, o drama voltou a acontecer, mas desta vez nas "boxes": depois de reabastecer e trocar de pneus, o italiano Michelle Alboreto preparava-se para regressar à pista, quando se soltou uma roda do seu Minardi-Ford, num incidente de que resultaram ferimentos em três mecânicos da Ferrari e num da Lotus.

O dramático Grande Prémio de São Marino de 1994 marcou uma viragem histórica na Fórmula 1, pois não só obrigou a Federação Internacional do Automóvel (FIA) a alterar de forma radical as regras de segurança, como acabou por ser o momento da sucessão entre Ayrton Senna e Michael Schumacher .

Se acabava de perder o único campeão mundial do plantel, a Fórmula 1 assistia ao início da glória do mais titulado piloto de sempre: o alemão, então na Benetton-Ford, alcançou em Imola a terceira das suas quatro vitórias consecutivas na abertura da época, lançando-se em definitivo para a conquista do primeiro dos seus sete Mundiais.

Já no final da carreira, Schumacher, que então foi muito criticado por ter celebrado no pódio o triunfo em Imola, ainda foi a tempo de retirar a Senna o seu mais emblemático recorde, ao totalizar 68 "pole positions" contra as 65 do brasileiro, que assim é segundo nesta estatística.

No entanto, 15 anos após a sua morte, Senna, que disputou 162 Grandes Prémios desde a sua estreia na Fórmula 1, em 1984 com um Toleman-Hart, ainda tem vários registos notáveis: é o terceiro piloto com mais vitórias (41), pódios (80) e pontos (614), sempre atrás de Schumacher e do francês Alain Prost.

Em 01 de Maio de 1994, o "mágico" da chuva, que alcançou a sua primeira vitória na Fórmula 1 no Grande Prémio de Portugal de 1985, num autódromo do Estoril completamente alagado, deixou Schumacher sem adversário à altura: "O Rei morreu, viva o Rei".

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O casamento pode matar o amor romântico mas não tem que ser assim.

É uma espécie de descoberta do amor verdadeiro. Cientistas norte-americanos analisaram o cérebro de alguns casais e provaram que estes continuam apaixonados ao fim de 20 ou 30 anos de vida em comum. Melhor ainda: com a excitação típica das paixões, mas livres da obsessão e do ciúme. São "casos raros", alerta Júlio Machado Vaz, mas que provam que vale a pena investir nas relações de longo prazo.

Oscar Wilde não tinha razão. Ao contrário do que dizia o dramaturgo (e nós acreditamos porque nos disseram que é assim), o casamento ou as relações longas não têm que ser nenhuma sentença de morte para o amor romântico. Este pode sobreviver a 50 anos de vida em comum tão profundo e tão incólume como no estado de paixão. Melhor ainda: igualmente intenso, absorvente e sexualmente activo, mas sem o traço obsessivo que caracteriza os apaixonados.

A conclusão está contida no estudo Does a Long-Term Relationship Kill Romantic Love? (Uma Relação Duradoura Mata o Amor Romântico?, em tradução literal), feito por Bianca P. Acevedo, psicóloga e investigadora da Stony Brook University, em Nova Iorque. "A generalidade das pessoas habituou-se a pensar que uma relação de décadas, com ou sem casamento, se reduz inevitavelmente a uma relação de companheirismo e de ternura apenas. E nós percebemos que não é necessariamente assim: é possível que, ao fim de 40 ou 50 anos, o casal continue enamorado e sexualmente motivado, tal como quando se apaixonou", declarou Bianca P. Acevedo, em conversa telefónica com o P2.
A investigadora e o seu colega de pesquisa, Arthur Aron, começaram por analisar 42 estudos, englobando mais de seis mil casais (em relações de curto e longo prazo), para perceber até que ponto a existência de amor romântico está relacionada com um maior grau de satisfação perante a vida. Para isso, começaram por classificar o amor em três categorias: apaixonado, romântico (que é apaixonado mas sem a componente obsessiva da paixão) e amor companheiro.
A conclusão a que chegaram foi que muitos casais continuavam, ao fim de muitos anos, a sentir calafrios de excitação um pelo outro, a par de uma ligação "profundamente intensa e de uma enorme intimidade". Com vantagens relativamente à paixão inicial. "Aquele lado obsessivo, de possessão e ciúme, em que o outro está constantemente a intrometer-se nos pensamentos e a impedir-nos de trabalhar, desapareceu. E a angústia de perder o outro e as súbitas alterações de humor também", explica Bianca P. Acevedo.
Os "casais-cisne"
Este estudo, recentemente publicado na Review of General Psychology, corrobora outra pesquisa feita por Arthur Aron. Este psicólogo andou a analisar as ondas cerebrais de vários casais que se diziam apaixonados há mais de 20 anos. Submetidos a ressonâncias magnéticas, o que se provou foi que os membros destes casais, ao verem a fotografia do companheiro, tinham as mesmas reacções químicas que os casais em fase inicial de enamoramento. "Inicialmente, quando as pessoas me diziam que continuavam apaixonadas ao fim de 20 anos, pensei que estavam a enganar-se a si próprias. Mas os exames das ondas cerebrais demonstraram que havia mesmo um pico de produção de dopamina quando viam a fotografia do parceiro", declarou Arthur Aron ao Times on-line.
Esta tese, que contraria a convicção generalizada de que o amor romântico e o desejo sexual atingem o pico no início da relação e declinam com o tempo, não surpreende o sexólogo Júlio Machado Vaz. "Faço sexologia há 30 anos e já vi vários destes casais que só têm olhos um para o outro passar pelo meu consultório", confirma. Os cientistas chamam-lhes "casais-cisne". Aparentemente, porque têm um "mapa do amor" no cérebro semelhante ao dos animais monogâmicos, como é o caso dos cisnes. O que esta investigação mostra, para Júlio Machado Vaz, é que, "ao contrário do que pensávamos, não há uma diferença qualitativa tão marcada entre paixão e amor". A diferença que existe - pelo menos nestes casais - é que a paixão passa a coexistir pacificamente com as outras vertentes da vida. "O traço obsessivo da paixão faz com que o resto do mundo fique em segundo plano. A paixão vive isolada e, claro, o trabalho fica prejudicado. Imagine-se os problemas que teria alguém que vivesse apaixonado durante 30 ou 40 anos", diz o sexólogo.
Machado Vaz considera, aliás, que está na altura de os "psis" deixarem de menosprezar o amor romântico. "Nós tendemos a olhar para o amor como um subproduto da paixão, a mitificar a paixão, e isso não é justo. Muitos casais que passam pelo meu consultório dizem que gostaram muito de estar apaixonados mas que gostam mais do que conseguiram ao fim de muitos anos. E, efectivamente, um amor longo, em que a intimidade se desenvolveu e a confiança também, é muito gratificante. Aqui, ao contrário do que se passa na paixão, a pessoa já conhece o outro como ele é na realidade e não como o construiu na sua cabeça ou como ele se apresenta perante o outro. Num estado de paixão nós somos aquilo que somos mais aquilo que achamos que o outro gosta; a isso chama-se sedução, e esse tipo de relação satisfaz no curto prazo, mas depois é impossível de manter."
Há mais boas notícias a somar a estes argumentos. Nas relações onde perdura o amor romântico, os membros do casal analisados por Bianca P. Acevedo evidenciaram uma auto-estima elevada e mostraram-se mais satisfeitos com a vida em geral. Já os casais unidos pelo amor companheiro demonstraram uma satisfação moderada, enquanto os que estavam presos a relações insatisfatórias e conflituosas denotaram um desagrado generalizado. "Já há muita literatura que explica que uma relação amorosa feliz reforça o sistema imunitário das pessoas e aumenta o seu bem-estar psicológico", diz ao P2 Bianca P. Acevedo. "Os casais que têm relações longas e felizes desenvolvem uma intimidade e uma confiança, sem aquele medo de se vai ser deixado ou não, que não só solidifica a relação como dá uma gratificação muito grande", reforça Machado Vaz.
Esta descoberta pode mudar as expectativas com que partimos para relações de longo prazo. De acordo com os autores, apostar numa relação para a vida inteira não tem que ser sinónimo de conformismo ou de abnegação. "A ideia, assumida por milhares de casais, de que para estarem juntos têm que aceitar a transformação do amor que sentiam numa espécie de amor-amizade deixou de fazer sentido", sublinha Bianca P. Acevedo.
Dito de outro modo, o amor romântico passou a estar ao alcance de todos os casais. "Os casais que estão juntos há muitos anos e querem voltar a sentir-se apaixonados podem aspirar a isso", anunciou, para ressalvar: "Claro que isso implica energia e devoção."
Fugir à rotina
O problema é que, nas relações profundamente desgastadas, querer nem sempre é poder, na opinião de Júlio Machado Vaz. "Quando as relações estão num estado de profundo desgaste e rotina, é muito difícil voltar atrás", acrescenta o psicólogo, atirando as culpas para o "pecado capital" de se achar que o outro é um dado adquirido. E os tempos de crise não são propriamente o melhor preliminar. "Dantes dizia-se que o amor vence todas as barreiras. Vence, uma gaita. Se não houver dinheiro para pagar as contas, o amor ressente-se e muito."
Por outro lado, nem sempre é fácil resistir à tentação. "Vivemos numa sociedade em que as pessoas, consciente ou inconscientemente, estão sempre à espera de labaredas no amor. O que, evidentemente, é mais fácil de conseguir com alguém que não se conhece ou que se conhece em contextos que são vantajosos em relação à pessoa com quem se está todos os dias." Por exemplo, "alguém que se vê no emprego todo arranjadinho e não se imagina a ter que ver de manhã a chinelar pela casa ainda todo despenteado", aponta o sexólogo, habituado a estas situações "triangulares" de pessoas que ficam na dúvida sobre se "continuam a investir na relação que têm ou se partem para outra". Na maior parte dos casos, "se a relação for boa, e quando não se trata de alguém a quem o envelhecimento está a angustiar e a fazer acreditar que tem que correr atrás de coisas que podem não se repetir, as pessoas decidem quase sempre ficar porque percebem que a outra coisa é um entusiasmo passageiro".
Aos que recorrem ao seu consultório para reavivar uma relação que está em risco de entrar em piloto automático, Júlio Machado Vaz costuma recordar aquela canção de Neil Youg que avisa: "rust never sleeps." "A ferrugem nunca adormece e ir a um jantar que não estava previsto ou introduzir uma variante no quotidiano erótico podem ajudar muito no combate à rotina", aconselha.
Bianca P. Acevedo lembra, por seu turno, que reagir positivamente ao sucesso do parceiro é "muito, muito importante", porque "sentir que o outro está lá para nós é meio caminho andado para uma boa relação".
O recurso ao aconselhamento matrimonial é outra das possibilidades para os casos mais graves, segundo a investigadora norte-americana. Afinal, o mais difícil - provar que Oscar Wilde estava errado quando dizia que devíamos viver apaixonados e que por isso é que ninguém deveria casar-se - os cientistas já fizeram por nós.