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domingo, 20 de setembro de 2009

Detidos suspeitos de planear ataque nos EUA.

O FBI deteve hoje de madrugada um motorista de autocarro de nacionalidade afegã em Denver (Colorado) e o seu pai, no quadro do inquérito anti-terrorista aberto esta semana em Nova Iorque, informou a polícia.

Segundo o jornal "New York Times", o motorista de autocarro do aeroporto de Denver, Najibulah Zazi, 24 anos, e seu pai Mohamed Zazi, 53 anos, são acusados de terem prestado falsas declarações na investigação iniciada em Nova Iorque.

O jornal acrescenta que poderá também vir a ser detida uma terceira pessoa em Nova Iorque, segundo informação de um funcionário da polícia.

Após três dias de interrogatório por agentes do FBI, o motorista de autocarro exigiu a presença de um advogado, pelo que o FBI decidiu acusá-lo por se ter recusado a ser interrogado ao quarto dia pelos investigadores, segundo a versão Wendy S. Aeillo, porta-voz do gabinete de advogados de Arthur Folsom, que representa os prisioneiros.

Entrevistado telefonicamente pelo jornal "Denver Post", Najibulah Zazi negou qualquer relação com grupos terroristas ou qualquer implicação com o treino de insurrectos no Paquistão.

O FBI iniciou na terça-feira uma ofensiva em vários domicílios de Nova Iorque e desarticulou um presumível grupo de ideologia semelhante à da al-Qaeda.

"O FBI participou esta manhã numa operação em que foram revistadas várias pessoas no bairro de Queens no quadro de uma investigação que continua em curso, declarou o porta-voz da polícia federal em Nova Iorque, James Margolin.

Nova Iorque estará sujeita esta semana a um agravamento dos níveis de segurança devido à presença de chefes de Estado e de Governo de todo o mundo na 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

domingo, 7 de junho de 2009

João Paulo II poderá ser beatificado já em 2009.

João Paulo II poderá ser beatificado já este ano, na primeira etapa para a canonização, considerou, esta sexta-feira, Joaquin Navarro-Valls, antigo porta-voz do papa polaco, numa entrevista ao diário económico Il Sole 24 ore.

As duas passagens 'técnicas' que faltam - o decreto sobre as virtudes heróicas pelos cardeais e bispos da Congregação para a Causa do Santos e a publicação do decreto sobre o milagre - podem resolver-se já este ano, disse Navarro-Valls.

Navarro-Valls dirigiu durante 22 anos a sala de imprensa do Vaticano, cargo que deixou em 2006, cerca de um após a morte de João Paulo II.

Depois disso, o papa pode decidir a data de proclamação da beatificação, embora possa fazê-lo quando quiser, acrescentou.

Para Navarro-Valls, o processo de beatificação está a avançar e não será paralisado pela publicação na Polónia de correspondência entre o antigo papa polaco e uma das suas concidadãs Wanda Poltawska.

Poltawska publicou um livro com excertos de cartas que trocou durante anos com o papa.

De acordo com a imprensa italiana, o Vaticano receia que as cartas na posse de Poltawska possam conter elementos que possam atrasar a beatificação.

Navarro-Valls afirmou que, além das cartas, não existiu qualquer relação especial entre Poltawska, hoje com 88 anos, e o papa, apesar de ela afirmar ser uma amiga próxima.

Vi algumas vezes Poltawska no Vaticano e em Castelgandolfo (a residência de Verão). Não me parece que ela conhecesse melhor o papa que outros amigos. O papa conhecia-a há muito tempo mas como conhecia muitas outras pessoas, tanto antes como após a eleição como chefe da Igreja católica, disse.

A amizade entre os dois remonta a 1950, quando a mulher contou a Wojtyla os horrores do campo de concentração nazi onde esteve presa.

Em 1962, o então bispo Wojtyla pediu ao padre Pio de Pieltrecina - famoso pelos seus milagres e que João Paulo II proclamou santo em 2002 - que intercedesse a favor da cura do cancro que afectava Wanda Poltawska, o que aconteceu de forma inexplicável pouco depois.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Testemunho. O «inferno» da Austrália visto por um português.

Numerosas localidades australianas foram varridas do mapa com os incêndios que calcinam o sul da Austrália, queimando casas, automóveis e pessoas na maior tragédia de sempre deste género no país, saldada em 108 mortos e 750 lares destruídos.

Luís Geraldes, artista e pintor, descreveu à Lusa o ambiente no local onde se encontra, um centro de acolhimento a cerca de cinco quilómetros da sua residência, que se tornou num «cenário de inferno».

«Existe um capacete preto na atmosfera e, de vez em quando, nas várias frentes onde o fogo ainda ocupa colinas, as árvores rebentam e mandam as folhas a arder para o ar, como foguetes», explicou.

«É impossível controlar este fogo, que se espalha por todo o lado, e por mais água que se deite não é possível dominar as frentes», disse ainda, acrescentando: «A temperatura continua a mais de 40 graus, o sol não existe e para se andar é preciso levar luzes acesas. Não se vislumbra o fim deste cenário de inferno.»

A ambiente geral é de consternação: «Existe um grande traumatismo, morreram muitas pessoas, amigas e vizinhas. Nas florestas, as pessoas têm propriedades com mais de cinco hectares e todos se conhecem porque fazem reuniões durante o ano sobre como combater as frentes de fogo (comuns no Verão australiano).» «Nas actuais circunstâncias, no entanto, foi impossível combater as chamas. Mesmo os mais fortes, que ficaram para trás até à última hora, quando tentaram fugir já não conseguiram porque as árvores estavam caídas no meio das estradas, os carros ficaram bloqueadas e o fogo carbonizou-as lá dentro», adiantou.

Luís Geraldes está inconformado: «As pessoas estão psicologicamente em baixo, altamente deprimidas, desde crianças, a pessoas de idade. Há milhares no centro de acolhimento e vai ser preciso ter coragem.»

O número de vítimas continua a crescer enquanto as operações de busca e salvamento resgatam corpos das chamas que têm transformado num inferno sobretudo o Estado de Vitória.

O primeiro-ministro, Kevin Rudd, declarou estar «consternado» com a chuva de cinza que cai do céu negro, enquanto as árvores explodem sob uma temperatura de 47 graus centígrados e são levadas pela fúria dos ventos.

No distrito de Kinglake, uma centena de quilómetros a norte de Melbourne, a localidade de turismo de Inverno de Marysville, com 800 habitantes, está em ruínas e é irrecuperável, de acordo com o responsável Brian Cross. Só em Kingsdale foram contados 18 mortos retirados dos escombros de quatro dezenas de casas e também de viaturas fumegantes.

Visto do ar, o cenário é dantesco até ao horizonte, com vastas quintas e florestas inteiras reduzidas a terra preta numa área de 2.200 quilómetros quadrados.

A polícia informou que há cerca de oito dezenas de pessoas hospitalizadas com queimaduras, 22 das quais de gravidade, como é o caso de uma bebé com escassos dois anos de idade, a quem está a ser ministrada morfina para apaziguar o sofrimento.

A Cruz Vermelha confirmou 3.733 evacuações, havendo relatos de sobreviventes que diziam ter visto algo parecido ao que foi a bomba atómica em Hiroshima.