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domingo, 16 de agosto de 2009

Quadraplégico autorizado a morrer de fome.

Um tribunal australiano decidiu que um homem quadraplégico tem o direito de recusar água e comida e pode ser-lhe permitido morrer. Uma deliberação rara que está a incendiar os ânimos.

A decisão do tribunal australiano implica que a instituição onde Christian Rossiter está internado desde Novembro 2008 não pode ser processada criminalmente por permitir a morte do seu paciente.
"Estou feliz por ter conquistado o meu direito a morrer", congratulou-se Rossiter, 49 anos, quando soube da sentença, proferida na última sexta-feira.

O doente acrescenta, no entanto, a intenção de falar com um médico antes de avançar com a decisão de morrer.

A lei australiana dá aos doentes o direito a recusar tratamento, mas ajudar alguém a cometer suicídio é crime.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Já falecido, Michael Jackson desencadeia vaga mortífera.

Resulta sempre, isto de viver depressa e morrer jovem. A popularidade post mortem de Michael Jackson provoca avalanche de outras mortes prematuras (e fictícias). Fora o falecimento de um original tão fascinante como Michael Jackson, estou muito contente com o estado das coisas, especialmente com a nova moda necrológica: vamos todos fingir que morremos para a nossa cotação no mercado subir em flecha!

Boa sorte. Mas parece que é isso mesmo que está a acontecer. Há tanta gente boa a morrer inesperadamente que dentro de dias já não há gente famosa de pé, vítimas todos de um virus celebritatis fora de controlo. Primeiro foi a Farrah Fawcett. Depois, o choque do Michael Jackson. Agora anda por muita gente a dizer que morreram o George Clooney e a Natalie Portman. Não, claro que este dois últimos ainda estão vivos da silva mas, sim, é verdade, anda por aí um monstrinho a espalhar boatos. Os próprios agentes dos actores tiveram que reagir perante tantos telefonemas alarmados vindos de tanto lado.

Motivo por trás desta brincadeira liceal? Há quem diga que são todos boatos fabricados pela própria indústria do entretenimento, apenas mais uma manobra de diversão e comércio para espicaçar o interesse global pelo mundo da fama. Dado que visibilidade é fundamental e Hollywood continua a ter os melhores manequins, as melhores montras em movimento, os melhores vestidos technicolor, heróis, caras e produtos, é preciso que o público continue a comprar Hollywood. Nada como uma morte chocante, verdadeira ou fictícia, para atirar um bocadinho de cafeína no mercado. Até a Internet fica feliz, cheia de tráfego e vendas.

Quando a morte de Michael Jackson quase mandou abaixo a Internet, ficou claro que o rapaz tinha um poder que ia além do imaginado. De repente, um tsunami de emoção percorreu o mundo. Facebook e Twitter transformaram-se numa lentidão melosa provocada pelo excesso de tráfego. Hoje, o fenómeno estendeu-se a outras áreas. Fama e dinheiro, sempre de mãos dadas.

Na Internet, sites com o nome Michael e Jackson foram vendidos há dias por preços exorbitantes. Os álbuns do cantor subiram quase todos ao topo de vendas. Na Coreia do Sul, as discográficas que fabricam CD trabalham noite adentro para poderem satisfazer a procura mundial. A "Time" publicou uma edição especial da revista, as maratonas televisivas continuam nos Estados Unidos e na Itália, e há uma resma infindável de livros sobre o King que aparecerão dentro em breve numa livraria perto de si.

Blindar o património.
As notícias de hoje foram dominadas pelo património: a mãe de Michael Jackson, para além de ter mandado logo uns camiões das mudanças recolher os haveres que o filho deixara na mansão em Bel Air onde foi encontrado inconsciente, hoje foi a correr ao tribunal pedir a custódia dos netos e dos bens materiais ainda por avaliar. Ao demarcar território, os Jackson de Los Angeles querem, sobretudo, deter a vaga de vândalos que se prepara para ferrar o dente no legado cultural, e bilionário, que o cantor deixou para trás.

Jackson tinha muitas dívidas mas a sua produção artística é vastísssima e capaz de ser multiplicada em muitas outras ideias lucrativas. Do catálogo dos Beatles à simples imagem registada das inúmeras fases de reinvenção, só isso dá para alimentar um império. A promotora dos concertos de Londres, AEG Live, percebeu que, mesmo sem cantor, ainda pode fazer dinheiro: hoje oferece a quem já tinha bilhete comprado a possibilidade de não pedir reembolso. Toda a gente sabe que o valor facial de um ingresso anda, actualmente, abaixo do valor de mercado. Numa época de crise é um valor duradouro como outro qualquer. Definitivamente mais estável que o dólar.

Novas novíssimas.
1) A Polícia que está a investigar as últimas horas do cantor foi lá a casa fazer uma rusga farmacêutica. Não foram buscar nada senão os comprimidos que Jackson, aparentemente, consumia. Saíram com dois sacos do lixo tamanho gigante, a abarrotar.

2) Já começaram as piadas. No seu espectáculo em Nova Iorque, Joan Rivers acordou o público com: "O Michael Jackson morreu. A Cher anda felicíssima. Agora até pode dispensar a escolta policial quando levar os namorados ao parque infantil". Oh shut up. E não vale a pena ficarem chateados porque, não sei se sabem, morri.

segunda-feira, 30 de março de 2009

As sete maravilhas do Atlântico.

Destacar sete locais ou actividades imperdíveis no Atlântico é quase como eleger estrelas preferidas na Via Láctea... Eis a nossa selecção de algumas maravilhas que não deve deixar de ver antes de morrer.

Açores

1º Banco Princesa Alice e Banco D. João de Castro.

Cento e seis milhões duzentos mil quilómetros quadrados de mar - 106.200.000 km2, escrito por extenso, ainda tem mais impacto - e um dos destaques é nosso. Nosso, português, dos Açores. A 90 quilómetros do Pico, esconde-se um tesouro debaixo de água, considerado pelos entendidos como um dos melhores locais de mergulho de todo o Atlântico.

O Banco Princesa Alice - assim chamado porque descoberto a bordo do navio de investigação "Princesse Alice", do príncipe Alberto I, do Mónaco, em 1896 - é uma montanha submarina de águas límpidas, a 500 metros de profundidade, e uma imensa biodiversidade. Ali reina a fauna típica de mar aberto, os chamados "peixes do azul", grandes exemplares em enormes cardumes.

Outro local de mergulho soberbo é o Banco D. João de Castro, um vulcão submarino onde os mergulhadores descem habitualmente ao topo da cratera. Ali, podem ver-se as bolhinhas a sair das frestas, sinal da actividade sísmica. "É como mergulhar num aquário", partilha Luís Quinta, um dos raros privilegiados a ter fotografado estes locais ainda pouco divulgados.
Selvagens

2º Reserva Natural.

Isto corre bem. Sete maravilhas do Mar de Atlas, como a mitologia grega o baptizou, e a segunda ainda é portuguesa... As remotas Selvagens, arquipélago de duas ilhas e várias ilhotas, constituem a zona mais meridional de Portugal.

Pertencente à Madeira, o seu isolamento é inversamente proporcional às suas belezas naturais. A fauna e flora únicas levaram a que fosse declarada reserva natural em 1971, incluindo as áreas submersas. Santuário de pássaros, entre os quais o ex-líbris, as cagarras, as Selvagens têm 150 espécies de plantas diferentes e uma biodiversidade marinha exclusiva. Jacques Cousteau disse que eram as "águas mais límpidas do mundo". Ali onde não há água potável, luz eléctrica ou rede de telemóvel, começam a existir expedições. Já só duas pessoas lá vivem - além da família Zino, proprietária da única casa privada da ilha, que lá passa temporadas.

Até 1971, as Selvagens eram pertença de um particular, Luís Rocha Machado, que as vendeu por 1000 contos ao Estado português, depois de já estar assinado um contrato com o World Wildlife Fund - um negócio do século para Portugal...
Noruega

3º Fiordes.

Ao largo da Noruega, todos os anos se pode ver uma das maiores povoações de orcas. Quase um milhar de killer whales segue religiosamente as migrações do arenque, o seu petisco preferido, e, em Outubro, chega ao fiorde de Tysfjord.

Aí, nessa grande entrada de mar rodeada de altas montanhas rochosas que a Unesco classificou património mundial, o viajante pode unir duas maravilhas e fazer um "safari de orcas". De Tysfjord saem barcos para ver estes gigantes marinhos, que facilmente medem 9 metros e pesam até 9 toneladas - não espanta que precisem de comer 70 quilos de arenque por dia. Os mais corajosos podem mesmo embarcar numa aventura mais radical e fazer snorkeling com elas.

Apesar do nome assustador, as killer whales não são nem baleias, nem assassinas - na verdade, são golfinhos, e não há um ataque a humanos documentado. Imagine a sensação de estar no meio delas, na sua posição de spy hopping, o corpo meio de fora, na vertical...
Cabo-Verde

4º Tartarugas.

O fenómeno da desova das tartarugas existe em vários sítios pelo Atlântico. Se for às ilhas da Boavista ou a Maio - "um dos cinco ou seis locais para posturas mais importantes do mundo", palavra do professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, Nuno Loureiro -, poderá assistir a esse fenómeno quase mágico, sempre nocturno.

Em Julho, Agosto e Setembro, tartarugas-comuns, tartarugas-verdes e tartarugas-de-pente (estas em perigo de extinção) põem ovos naqueles areais. Há três anos que a Universidade do Algarve, com o financiamento do Oceanário, desenvolve projectos de protecção das tartarugas em Cabo Verde, e iniciou outro no Príncipe, em São Tomé.

O professor passa quatro meses por ano em Santiago e na Boavista, em trabalho de campo. Este Verão, aceitam-se voluntários. Alguém quer umas férias diferentes?
Guadalupe

5º Tubarões.

São os reis do oceano - e é sonho de muitos "machos adultos" mergulhar com eles, ao lado deles, ou protegidos dentro de uma jaula, mas sentindo a emoção do frente a frente.

Mergulhar com tubarões brancos leva todos os anos centenas de pessoas à ilha de Guadalupe, a 240 quilómetros do México. O animal cuja fama Steven Spielberg viria a denegrir para sempre é "famoso" pelo comportamento agressivo. Mas em perfeita segurança, mergulhadores e não mergulhadores (acompanhados de instrutores) podem olhar no olhos (vítreos, diga-se) deste predador, dentro de 'gaiolas' espaçosas com visão de 360 graus que descem para dentro de água.

Aconselham-se cores neutras para os fatos de mergulho, para não despertar a agressividade do tubarão. A melhor altura para experimentar esta aventura é de finais de Setembro a finais de Novembro.
Bermudas

6º Triângulo.

Quanta tinta não correu já sobre o Triângulo das Bermudas? A figura geométrica mais famosa de todos os tempos abarca uma vasta área de 3.950.000 km2 do Atlântico, com um vértice na Florida (EUA), outro nas Bermudas e o último nas Grandes Antilhas.

Já no século XV os nossos marinheiros navegaram pelo mar quente dos Sargaços e reportaram a anormal quantidade de algas e outros fenómenos estranhos, como a ausência de vento. O Triângulo das Bermudas ganhou fama sobretudo na segunda metade do século XX. Só a contar de 1973, a Guarda Costeira norte-americana contabilizou mais de 8000 pedidos de ajuda, 50 embarcações e 20 aviões desaparecidos sem rasto. As hipóteses avançadas são as mais diversas. Mistérios à parte, os habitantes das Bermudas rentabilizaram a fama com visitas aos destroços dos barcos afundados para mergulho ou snorkeling.

Aqui, a palavra de ordem bem podia ser a máxima do Instituto de Socorro a Náufragos nos anos 80: "Há mar e mar, há ir e voltar". E mesmo que não queira arriscar-se a descobrir, pode sempre gozar um merecido descanso nas águas mornas do arquipélago.
Açores

7º Submarino Lula.

Terminamos de regresso a Portugal. Ter o privilégio de andar num submarino e ver o fundo oceânico é graça que não se repete todos os dias. Mas provavelmente, nunca mais se esquece.

No Faial, desde 2000 que se pode descer até 500 metros de profundidade e explorar o admirável mundo subaquático a bordo do "Lula", construído pela Fundação Rebikoff-Niggeler, de Joachim e Kirsten Jakobsen. Três pessoas é a lotação máxima. Ir ao fundo e voltar é possível, mas não barato: um mergulho de observação do oceano (de três a cinco horas), para "turistas normais", fica em €2500. Um treino de pilotagem, com mergulho de profundidade baixa (25 a 40 metros) custa €1500, e dois dias, com mergulho de águas fundas (400 a 500 metros) cifra-se em €3800.

Mas poderá sentir-se como Júlio Verne e 'gabar-se' de ter andado num dos poucos submarinos de investigação científica do mundo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Britânica quer morrer "com dignidade". Adolescente conquista direito à eutanásia.

Hannah Jones, 13 anos, conseguiu que a sua vontade fosse aceite: recusa submeter-se a um transplante de coração, a única hipótese para continuar a viver. A história está a comover a Inglaterra.
A história de uma menina britânica de 13 anos que pediu para "morrer com dignidade" está a comover a Inglaterra.

Hannah Jones conseguiu convencer os médicos do hospital Herefordshire Primary Care Trust de Hereford, no oeste da Inglaterra, onde está internada, a não substituir o seu coração por um novo contra a sua vontade.

Sem garantias de sucesso do transplante
O transplante seria a única hipótese de Hanna para continuar a viver. O seu coração sofreu graves danos na sequência de um tratamento a que foi submetida contra a leucemia de que padece. Mas as hipóteses de sucesso da cirurgia são remotas.

A medicação necessária para evitar uma possível rejeição do corpo ao novo órgão poderia despoletar o reaparecimento das complicações relacionadas com a antiga doença.

Hanna está cansada de sofrer, e a única coisa que deseja é acabar os seus dias em casa, na companhia dos irmãos Oliver (11 anos), Lucy (10) e Phoebe(4). A menina quer receber apenas os cuidados da mãe, Kirsty, que por coincidência é enfermeira especializada em cuidados intensivos.

Batalha pela morte
No início, o Herefordshire Primary Care Trust quis obrigar a menina britânica a submeter-se à cirurgia e em Fevereiro levou o caso para a Suprema Corte do Reino Unido.

Hanna ganhou o direito de morrer depois de ter sido entrevistada por um assistente social, que confirmou que a menina estava mesmo segura na sua decisão de morrer com dignidade".

Os pais de Hannah apoiam-na. "Não sabemos exactamente o que terá dito, mas deve ter sido algo realmente muito forte para convencer (o assistente social) a dar-lhe razão. É incrível que uma pessoa que tenha passado por tanto sofrimento tenha tanta força para defender os seus direitos. Estamos muito orgulhosos da nossa pequena", disse Andrew, pai de Hanna, em declarações ao jornal 'The Independent'.

Entrevistados pelo jornal 'Daily Telegraph', dizem que é óbvio que desejaria ter a filha com eles por muito mais tempo, mas entendem que devem respeitar a sua vontade.