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terça-feira, 24 de março de 2009

Belga de 93 anos em greve de fome para obter eutanásia.

Amelie Van Esbeen não preenche os requisitos previstos pela lei para que lhe seja aplicada a medida terminal. Não está doente, apenas farta da vida.

O tema da eutanásia está novamente aceso na Bélgica: uma mulher de 93 anos está há dez dias em greve de fome para convencer as autoridades a permitirem que lhe seja aplicada a eutanásia.

Amelie Van Esbeen não sofre de qualquer "doença incurável", nem de "sofrimentos constantes, insuportáveis ou que não possam ser amenizados", tal como a lei exige para que seja aplicada a eutanásia. Contudo, a belga está farta de vida: "A única coisa que me pode fazer feliz é a morte. A minha vida acabou", declarou ao jornal "Soir".

Com uma filha, nove netos e oito bisnetos, a idosa não preenche os requisitos para que lhe seja aplicada a medida terminal. Segundo a televisão belga RTBF, a família começou por ficar chocada, mas depois aceitou a decisão de Amelie. Actualmente a viver num lar, a idosa está determinada a levar avante a sua vontade e deixou por escrito um pedido para que não seja reanimada ou alimentada por tubos. E deixa o apelo: "Ajudem-me a morrer". Amelie Van Esbeen não sofre de qualquer doença grave, mas quer morrer

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Italiana em coma há 17 anos vai morrer.

A vida de Eluana Englaro, cidadã italiana que persiste em estado de coma há 17, está quase a chegar ao fim. A mulher de 38 anos chegou durante a madrugada de hoje à Clínica La Quiete, em Udine, onde dentro de três dias os médicos vão deixá-la morrer.

Termina assim o caso que comoveu a Itália e tem sido alvo de uma intensa batalha judicial e política há mais de 10 anos.

A clínica anunciou em Janeiro estar pronta para acolher Eluana e cuidar dela nos seus últimos dias, até suspender de vez a alimentação e hidratação artificial que ainda a prendem à vida. A decisão foi tomada apesar de todas as pressões da Igreja Católica, do Vaticano e do Governo de Sílvio Berlusconi.

"Parem este assassínio", lança o cardeal Javier Lozano Barragan, do Vaticano, citado pelo jornal "La Repubblica". Segundo o cardeal, "interromper a alimentação e a hidratação de Eluana equivale a um abominável assassínio e a Igreja não parará de reclamar em voz alta (...) Não vejo como se poderia definir de outra forma o facto de não alimentar alguém", declara o cardeal.

Evocando a decisão judicial que autoriza a cessação da alimentação, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça italiano em Novembro, o cardeal Barragan explica que "a posição da Igreja, que defende a vida, mantém-se a mesma e não pode mudar devido a um veredicto de juízes".

No passado domingo, Bento XVI abordou o assunto ao considerar a decisão de acabar com a vida de Eluana Englaro como uma "eutanásia inaceitável". O Papa sublinha que a eutanásia é uma "solução falsa para o drama do sofrimento" e que se trata de um acto "indigno do homem".

Eluana encontrava-se internada numa clínica em Milão, desde a altura em que um acidente rodoviário a deixou em coma. O pai sempre se manifestou favorável à decisão de acabar com a vida da filha, porquanto esta, antes do acidente, sempre "manifestou claramente que pretendia morrer caso ficasse em estado de coma ou num estado vegetativo".Eluana está em vida vegetativa desde 1992, vítima de um acidente rodoviário.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Britânica quer morrer "com dignidade". Adolescente conquista direito à eutanásia.

Hannah Jones, 13 anos, conseguiu que a sua vontade fosse aceite: recusa submeter-se a um transplante de coração, a única hipótese para continuar a viver. A história está a comover a Inglaterra.
A história de uma menina britânica de 13 anos que pediu para "morrer com dignidade" está a comover a Inglaterra.

Hannah Jones conseguiu convencer os médicos do hospital Herefordshire Primary Care Trust de Hereford, no oeste da Inglaterra, onde está internada, a não substituir o seu coração por um novo contra a sua vontade.

Sem garantias de sucesso do transplante
O transplante seria a única hipótese de Hanna para continuar a viver. O seu coração sofreu graves danos na sequência de um tratamento a que foi submetida contra a leucemia de que padece. Mas as hipóteses de sucesso da cirurgia são remotas.

A medicação necessária para evitar uma possível rejeição do corpo ao novo órgão poderia despoletar o reaparecimento das complicações relacionadas com a antiga doença.

Hanna está cansada de sofrer, e a única coisa que deseja é acabar os seus dias em casa, na companhia dos irmãos Oliver (11 anos), Lucy (10) e Phoebe(4). A menina quer receber apenas os cuidados da mãe, Kirsty, que por coincidência é enfermeira especializada em cuidados intensivos.

Batalha pela morte
No início, o Herefordshire Primary Care Trust quis obrigar a menina britânica a submeter-se à cirurgia e em Fevereiro levou o caso para a Suprema Corte do Reino Unido.

Hanna ganhou o direito de morrer depois de ter sido entrevistada por um assistente social, que confirmou que a menina estava mesmo segura na sua decisão de morrer com dignidade".

Os pais de Hannah apoiam-na. "Não sabemos exactamente o que terá dito, mas deve ter sido algo realmente muito forte para convencer (o assistente social) a dar-lhe razão. É incrível que uma pessoa que tenha passado por tanto sofrimento tenha tanta força para defender os seus direitos. Estamos muito orgulhosos da nossa pequena", disse Andrew, pai de Hanna, em declarações ao jornal 'The Independent'.

Entrevistados pelo jornal 'Daily Telegraph', dizem que é óbvio que desejaria ter a filha com eles por muito mais tempo, mas entendem que devem respeitar a sua vontade.