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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Charles Darwin enganou-se nos Açores.

Darwin terminou a sua viagem nos Açores, onde não encontrou "nada digno de registo", mas os cientistas dizem que estava completamente enganado.

Charles Darwin terminou a sua célebre viagem de circum-navegação de cinco anos a bordo do "Beagle" nos Açores, e durante seis dias visitou o interior da ilha Terceira, mas escreveu uma frase que os cientistas têm vindo desde então a considerar totalmente errada: "Gostei imenso da visita, mas não encontrei nada digno de registo".

De facto, António Frias Martins, investigador do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, afirmou à Agência Lusa que "nos Açores há muita coisa digna de registo", porque o arquipélago, que tem uma grande biodiversidade e espécies animais únicas, é um verdadeiro laboratório natural que sustenta a Teoria da Evolução.

Os cientistas açorianos querem provar que o famoso naturalista britânico se enganou e para isso vão organizar entre 19 e 22 de Setembro um simpósio internacional sobre o tema "O erro de Darwin e o que estamos a fazer para o corrigir".
(Os Açores têm espécies de aves únicas em todo o mundo)
O evento contará com a participação de especialistas norte-americanos de renome mundial como Lynn Margulis (Universidade de Massachussets), Bruce Libermann (Universidade do Kansas) e o casal Rosemary e Peter Grant (Universidade de Princeton), que já estudou os tentilhões dos Açores.
Ao mesmo tempo têm um ambicioso projecto, a inaugurar a 19 de Setembro, para ilustrar a história da Vida ao longo de um percurso de 46 km na ilha de S. Miguel, entre Ponta Delgada e a Ponta da Madrugada, no extremo leste da ilha.

"O Trilho da Vida" vai percorrer os 4,6 mil milhões de anos da idade da Terra num percurso marcado por pavilhões - dinamizados pelas autarquias e escolas - com exposições sobre os principais acontecimentos da história da Vida, como a emergência das primeiras bactérias, o aparecimento das plantas e dos animais, a vida e morte dos dinossáurios ou as etapas da evolução humana.

O único português que se correspondeu regularmente com Darwin - entre Junho e Novembro de 1881 - foi precisamente um naturalista açoriano, Francisco Arruda Furtado. A sua história é contada no livro "O português que se correspondeu com Darwin", de Paulo Renato Trincão (professor da Universidade Aveiro), que será lançado brevemente pela editora Gradiva.

A investigação científica recente tem, sem dúvida, consolidado a ideia de que os Açores são um arquipélago de eleição para provar a diversidade da evolução através da selecção natural tal como Darwin a defendia.

Um dos exemplos, citado pela revista National Geographic, são os estudos feitos sobre o painho-da-madeira, uma ave marinha típica das ilhas do Atlântico (incluindo a Madeira, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe), mas onde foi descoberta uma espécie única nos Açores com apenas 250 a 300 casais. Única em termos genéticos, nos cantos e vocalizações, nas épocas de muda ou no comportamento alimentar.

Outra espécie única é o priolo, uma ave da floresta laurissilva de S. Miguel, que está a ser alvo de uma campanha de recuperação do seu habitat coordenada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), por estar ameaçada de extinção. A laurissilva é, aliás, uma floresta também com características únicas, que só existe nos Açores e na Madeira.
(A floresta laurissilva só existe nos Açores e na Madeira)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Aquecimento global é “irreversível”.

Se a humanidade acabasse hoje com as emissões de dióxido de carbono, só dentro de mil anos é que o clima do nosso planeta voltaria ao normal. Cientistas pedem que se actue o mais rapidamente possível para impedir o piorar da situação.
O aquecimento global é “irreversível” e nem mil anos serão suficientes para apagar aquilo que a humanidade tem feito ao planeta. “As pessoas pensavam que se deixássemos de emitir dióxido de carbono o clima voltaria ao normal dentro de cem ou 200 anos. Isso não é verdade”, disse a norte-americana Susan Solomon, principal autora do estudo ontem publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
As mudanças na temperatura da superfície dos oceanos, no nível de precipitação e no aumento do nível das águas “são em grande parte irreversíveis, por mais de mil anos depois das emissões de CO terem parado completamente”, acrescentou a cientista da National Oceanic and Atmospheric Administration, dos EUA, e líder do Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima das Nações Unidas.

"Penso que a verdadeira escala de tempo da persistência destes efeitos não foi percebida", referiu Solomon. “As mudanças climáticas são lentas, mas também são imparáveis e por isso temos de actuar agora para que a situação não piore”, acrescentou.

O estudo surge numa altura em que o Presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou a revisão das medidas tomadas pelo seu antecessor, George W. Bush, defendendo uma maior eficiência energética e dizendo que o futuro da Terra depende da redução da poluição atmosférica.
Segundo o estudo, o aquecimento global tem sido travado pelos oceanos, porque a água absorve muita energia para aquecer. Mas o efeito positivo vai dissolver-se com o tempo e os oceanos vão acabar por manter o planeta mais quente durante mais tempo ao libertarem para a atmosfera o calor que têm vindo a acumular. Daí ser falso pensar que as mudanças climáticas podem reverter-se em poucas décadas.

Antes da revolução industrial, o nível de dióxido de carbono presente na atmosfera era de 280 partes por milhão. Hoje, é de 385 e tanto cientistas como políticos procuram uma forma de estabilizar esse valor. Segundo Solomon, se o nível de CO atingir as 450 ou 600 partes por milhão, as consequências vão ser catastróficas, com a diminuição das chuvas na estação seca comparável à “Dust Bowl” da década de 1930 nos EUA. Mas em vez do fenómeno ficar circunscrito à América do Norte, irá alastrar-se a áreas como o Sul da Europa, o Norte de África e o Oeste da Austrália.
in DN Online
If we don’t stop global warming, nature will.

Fonte: Xicórias & Xicorações

Oxalá que todos aqueles filmes que temos vindo a assistir não se tornem em realidade. (Impacto Profundo, Armageddon, O dia depois de amanhã, e o ainda inédito 2012)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Arboescultura

Para quem gosta de bonsai, mas visa projetos maiores e a longo prazo.

Todos nós passamos pela experiência de plantar um feijão no algodão quando crianças. Alguns empolgam-se com a experiência e passam a cultivar bonsais, mas alguns sonham em realizar projetos maiores. A arboescultura é um técnica que se vem desenvolvendo e começa a apresentar os primeiros resultados.

Os resultados apareceram somente agora porque as obras levam anos para ficarem prontas, é preciso começar quando a árvore é apenas um rebento. A técnica consiste em manipular caule e galhos das árvores para criar esculturas vivas.

Para chegar ás formas desejadas os artistas-jardineiros manipulam a luz, podam e amarram os galhos quando ainda estão em crescimento. Não há garantias de que se chegará ao resultado desejado, as esculturas podem se transformar ao longo de sua criação. Há ainda outros riscos como o da obra morrer ou, simplesmente, não obedecer aos comandos e não dar certo. A arboescultura é uma técnica em desenvolvimento, não há exposições ou literatura a respeito.