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domingo, 27 de setembro de 2009

Magia negra: Pena de morte para três homens que assassinaram jovem albino.

Três homens foram condenados à morte por terem morto um albino de 13 anos a quem cortaram as pernas e venderam a praticantes de magia negra.

Três homens foram condenados à morte nesta quarta-feira pela Justiça de Shinyanga (cidade a norte da Tanzânia) por terem assassinado Matatizo Dunia, um albino de 13 anos, para posteriormente venderem as suas pernas a praticantes de magia negra.

Após um julgamento que durou 52 dias, o juiz Gabriel Rwakibalila leu as sentenças de Masumbuko Matata, Emmanuel Masangwa e Charles Karamugi , que condenam os três homens à pena de morte.

Os compradores de órgãos internos, extremidades e outras partes dos corpos de albinos são normalmente feiticeiros, que utilizam os restos humanos na elaboração de "poções mágicas".

Para os feiticeiros da Tanzânia e de outros países do leste Africano, as poções preparadas com partes dos cadáveres de albinos (que não possuem pigmentação na pele, nos olhos e no cabelo) trazem "sorte no amor, na vida e nos negócios".

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Livro sobre caso Maddie está proibido.

Por ordem do Tribunal Civil de Lisboa será retirado do mercado o livro 'Maddie: A Verdade da Mentira', em que o autor Gonçalo Amaral, ex-coordenador da Polícia Judiciária defende a tese do envolvimento dos pais de Madeleine McCann no desaparecimento e homicídio da menina.

De acordo com o “Correio da Manhã” , “a decisão do tribunal partiu de uma providência cautelar interposta pelo casal McCann, em conjunto com os seus três filhos, Maddie, Sean e Amelie, que sempre defendeu a tese de rapto da sua filha que desapareceu a 3 de Maio de 2007 da Praia da Luz, em Lagos”.

A notícia avança que “a editora Guerra e Paz terá de recolher todos os exemplares da obra existentes das livrarias e entregá-los aos advogados do Gerry e Kate McCann neste processo”. Por cada dia em falta, está prevista uma multa de mil euros.

Segundo o “Correio da Manhã”, “o Tribunal proibiu ainda a publicação de novas edições da obra, lançada há 14 meses por Gonçalo Amaral. De igual forma, o DVD com a reportagem da TVI sobre o livro está também proibido de ser vendido”.

Gonçalo Amaral fica também proibido de falar publicamente sobre o conteúdo do livro e do vídeo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Estrear o telemóvel pela segunda vez.

A proposta é da TMN que abriu uma secção de usados na sua loja online. Mas só vende telemóveis que foram utilizados em demonstrações de lojas e junta-lhe uma garantia de qualidade.

Esta iniciativa é uma novidade em Portugal, embora a TMN e outros operadores já tenham áreas de Outlet nas suas lojas, onde se vendem equipamentos "fora de moda".
Na secção de usados podem encontrar-se equipamentos de topo de gama e os descontos podem chegar aos 90%. Antes de serem colocados à venda a TMN garante que faz uma avaliação da qualidade e do estado de utilização, mas o utilizador tem também 30 dias para devolver o telemóvel caso detecte algum problema.
Entre as pechinchas pode encontrar o HTC Touch HD, um smartphone touch screen de última geração que aqui custa 299,90 euros, num desconto de 45% face ai PVP de 539,90 euros.

Para além de terminais topo de gama, como o HTC Touch ou o Samsung Omnia, a TMN colocou também à venda placas de acesso à Internet.
Não foram reveladas as quantidades que estão disponíveis nesta área de usados.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Cerca de 200 pessoas aguardavam início da venda de novo iPhone no Porto.

Cerca de 200 pessoas aguardavam hoje na Casa da Música, no Porto, o arranque da comercialização do iPhone 3GS da Apple em Portugal, confirmou à Lusa fonte da Optimus.

O novo telemóvel da Apple, numa versão actualizada, começou a ser vendido à meia-noite pela Vodafone e Optimus, fazendo esta última operadora um primeiro balanço "positivo."

Fonte da empresa disse à Lusa que à porta da Casa da Música esteve uma fila de "mais de 200 pessoas" que esperaram pelo sorteio de 10 iPhones 3GS entre os primeiros 100 que chegassem ao local.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Jovem vende virgindade para pagar estudos e curar mãe.

Evelyn, de 28 anos, decidiu colocar a sua virgindade à venda através de um anúncio na internet. Os objectivos desta equatoriana, que reside em Valência, são: dar continuidade aos estudos, obter estabilidade financeira e ajudar a sua mãe, que se encontra doente. O preço inicial está fixado em 15 mil euros. É caso para dizer... Quem dá mais?

Uma mulher de 28 anos decidiu colocar a sua virgindade à venda para conseguir atingir alguns dos seus principais objectivos. Frisando que foi criada de acordo com "princípios religiosos", Evelyn assegura poder provar, através de um atestado médico, a quem aceitar fazer o negócio, que continua virgem.

Esta equatoriana, que colocou no anúncio online um preço inicial de 15 mil euros, tem três ambições: ajudar a mãe, que se encontra doente, continuar a estudar e adquirir alguma estabilidade financeira.

"Não acredito que a venda da minha virgindade vá resolver todos os meus problemas, mas vai proporcionar-me alguma estabilidade financeira", diz Evelyn.

No anúncio, Evelyn colocou uma fotografia sua e frisou que não está à procura de um encontro romântico que se prolongue no tempo.

Este não é o primeiro caso de jovens a colocar a virgindade à venda em Espanha. As actuais dificuldades económicas são apontadas como as principais causas destas situações.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pai disposto a vender protagonista de "Quem Quer ser Bilionário?"

O pai de pequena atriz Rubina Ali, que ficou conhecida mundialmente pela sua participação no premiado "Quem Quer Ser Bilionário?", tentou vender a filha de 9 anos.

A pobreza das favelas de Mumbai saltou para as páginas dos jornais, com os seus próprios habitantes como protagonistas de "Quem Quer Ser Bilionário?", consagrado como o Melhor Filme dos Oscars deste ano.

Segundo o britânico News of the World, foi para sair dessa pobreza que o pai de Rubina Ali, a pequena Latika do filme, estava disposto a vender a filha, de 9 anos, para adopção, por mais de 300 mil euros.

Um jornalista do tablóide britânico fez-se passar por um xeque milionário do Dubai, oferecendo 310 mil euros para "garantir o futuro da menina e de toda a família".

Em nenhum momento, segundo o jornal, foram questionadas as condições da família que adoptaria a criança.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Chinesa põe vida à venda na Internet.


Um 2008 desastroso terá estado na origem da decisão de Chen Xiao de deixar os cibernautas decidir o seu dia-a-dia. A troco de dinheiro, claro.

"Cada vez que eu tinha um plano para a minha vida, nada dava certo. Era desapontante. Pensei que se as outras pessoas me arranjassem coisas para fazer, podia ser que aparecesse algo novo e melhor". Foi esta justificação que a jovem Chen Xiao deu à CNN para a insólita decisão de colocar a sua vida literalmente à venda, num site de leilões da China.

Desde Dezembro, Chen Xiao deixa que sejam os outros a decidir o que faz em cada dia: Por cerca de 3 dólares à hora, já entregou comida para animais, já cuidou de gatos abandonados, já levou comida quente a um sem-abrigo e, espante-se, até já assistiu a um parto, porque o pai queria alguém para fotografar o momento.

A jovem chinesa alega que teve um 2008 desastroso: A sua cidade foi atingida por um nevão, o seu país sofreu os efeitos de um sismo devastador, amigos divorciaram-se e a sua loja de roupa declarou falência...

Como limites para o que aceita fazer, Chen Xiao coloca apenas a ilegaldiade, imoralidade ou violência.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Minimates de X-Men Origins: Wolverine!

O Art Asylum e a Diamond Select não podiam deixar de incluir na sua linha de mini-figuras Minimates o novo filme X-Men Origins: Wolverine!

São seis minimates oficiais: Blob & Wolverine com casaco de couro, Deadpool sem máscara & Congo Wolverine, Logan & Sabretooth. Além de 2 minimates variantes: Logan & Congo Sabretooth. Cada minimate mede aproximadamente 5 cm de altura e têm
14 pontos de articulação. As partes do corpo são intercambiáveis entre si.

Os Minimates de X-Men Origins: Wolverine vão estar disponíveis em Julho de 2009 e a loja online BigBadToyStore já colocou em pré-venda um set com 4 mini-figuras por US$13,99.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Inventor do Cubo Mágico apresenta o 360.

Depois das faces do cubo, trata-se agora de conseguir encaixar bolinhas nos buracos de uma esfera. Parece simples, não parece?

Não dava entrevistas há mais de uma década, raramente era visto em público mas é de novo notícia. Erno Rubik, o inventor húngaro do icónico Cubo de Rubik, acaba de dar ao mundo um novo quebra-cabeças. Chama-se 360, foi apresentado a semana passada na Alemanha e chega ao mercado em Agosto.

Apesar da forma esférica, a contrastar com as arestas do famoso cubo colorido, o 360 é, na sua essência, muito semelhante ao antecessor: propõe um desafio de fácil entendimento, com uma única solução, mas de complexa execução.

Aqui não se trata de organizar as seis faces de um cubo mas de colocar seis bolas coloridas na respectiva calha. Simples? Nem por isso. As bolas estão dentro de três esferas de plástico transparentes (duas por cada) e, para solucionar o quebra-cabeças, é preciso fazê-las passar por uma esfera intermédia (que tem apenas dois buracos) e encaixá-las na calha correspondente da esfera externa. Isto sem tirar do lugar as bolas já colocadas. É tudo uma questão de peso e equilíbrio. E, sobretudo, de muito treino e paciência.

Se no cubo o segredo estava na Matemática e na lógica, aqui são a Física e a perícia que ganham protagonismo. "Sinto que o 360 é um dos mais inovadores e emocionantes puzzles que desenvolvemos desde o Cubo", afirmou Rubik num comunicado à imprensa.

Exportado pela primeira vez da Hungria em 1980, o Cubo de Rubik tornou-se um ícone e um sucesso de vendas instantâneo, tendo vendido até ao momento mais de 350 milhões de exemplares em todo o mundo.
Campeão do Cubo Mágico, Dan Harris, tenta a sua sorte no novo Rubik 360.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mp3 continha informação militar. (Nova Zelândia)

Imagine-se a surpresa de um homem quando descobriu que o Mp3 que comprara em segunda mão continha 60 ficheiros com informação do exército norte-americano, como nomes e contactos de soldados que tinham estado no Afeganistão e Iraque.

Chris Ogle, um neozelandês de 29 anos, comprou o leitor de Mp3 numa loja de Oklahoma, por 18 dólares, e não queria acreditar quando ligou o dispositivo ao computador e descobriu que aquele continua 60 ficheiros do exército dos Estados Unidos, incluindo nomes e números de telefone de soldados norte-americanos. Informações que, claro, não deveria ser do domínio público, embora, segundo um especialista em segurança da Nova Zelândia, citado pela Associated Pressm não ponha em causa a segurança norte-americana.

Entre os dados, encontram-se detalhes do equipamento enviado para o Afeganistão e de uma missão no terreno.

Segundo a televisão TV One News, alguns ficheiros incluiam um aviso sobre a proibição da divulgação desses conteúdos.

Ogle já disse que está disposto a devolver a informação ao exército norte-americano.

«Quanto mais olho, mais vejo e menos acho que devia ver», comentou o jovem.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Quem quer comprar um cornflake?


Bens insólitos, totalmente inúteis ou alegadamente milagrosos, há de tudo à venda na Internet e nos jornais da especialidade. E para tudo há compradores. Mesmo para, pasme-se, um solitário cornflake igual a tantos milhões de outros, uma vida, a virgindade ou a lua. Só varia o preço.

Em Agosto do ano passado, um indivíduo chamado Ian Usher que vivia em Perth pôs à venda na Internet um bem insólito: a sua "vida inteira". Na verdade, o que se oferecia era menos do que isso, embora fosse bastante. O indivíduo propunha-se vender, por junto - ele só vendia se alguém comprasse tudo - a sua casa e os objectos que nela se encontrassem, outros pertences (carro, etc.), o seu conjunto de amigos (ele apresentá-los-ia ao comprador) e o seu emprego (o interessado teria direito a um período à experiência), bem como um vasto capital de informações sobre o local, os hábitos, as pessoas, etc. O objectivo era mudar de vida. Aos 40 anos, após muitas coisas boas e más e algumas desilusões recentes, Ian queria deixar a Austrália e voltar ao Reino Unido. Para isso precisava de se libertar de tudo o que possuía naquele continente, excepto, imagina-se, as memórias. A oferta não demorou a encontrar comprador, e o preço final, fazendo o câmbio, foi cerca de 243 mil euros.

Meses depois, em Novembro, um estudante de Conventry propôs-se vender um único floco de cereal no eBay. Fazia-o, segundo dizia, a título de experiência. Como o anúncio chamou a atenção, o floco começou a ser objecto de inquérito e a receber ofertas; primeiro de um cêntimo, depois mais altas, até ser finalmente vendido por uma libra e vinte. Ficámos foi sem saber o que o estudante queria provar. Talvez o mesmo que provou a experiência daquela mulher que guardou durante dez anos um bocado de uma tosta de queijo onde supostamente se vislumbrava, algures no meio do queimado, o rosto de Nossa Senhora. Ao fim desse tempo, a sandes foi posta à venda, e a senhora recebeu uma fortuna, o que nem toda a gente terá considerado um milagre. Como não é milagre que alguém consiga vender as cinzas da própria mãe, o fantasma de uma casa (devidamente engarrafado) ou um "Vampire Killing Kit" equipado com bíblia, escopro e martelo.

As pessoas compram tudo. Mais precisamente: para o que quer que seja, por mais estranho ou doentio que pareça, existe sempre um comprador. Longe vai o tempo em que até para adquirir bens essenciais como roupa e instrumentos de cozinha às vezes havia que esperar pela visita sazonal dos ciganos. Hoje em dia, qualquer aldeia do Alentejo ou de Trás-os-Montes pode encomendar os mais insólitos objectos pela Internet. Basta ter cartão de crédito, algo que por sua vez também nunca foi tão fácil. Se alguém sentir ganas urgentes de possuir, digamos, uma 'stun gun' (uma daquelas armas eléctricas que a polícia usa para atordoar os bandidos) ou uns brincos feitos com caca de alce, é só pedir. Quem diz brincos, diz bolas de golfe que tenham sido engolidas por uma cobra pitão, passando uns tempos lá dentro. Pela sua raridade, essas bolas são muito procuradas e atingem preços elevados, embora quem a veja dificilmente as distinga das suas congéneres que nunca passaram por idêntico trauma.

Insólitos à venda.
Mesmo que não nos apeteça comprar nada ou quase nada do que se oferece no eBay, não podemos deixar de admirar a persistência dos vendedores que tentam fazer negócio com os objectos e serviços mais estranhos. Eis aqui uma pequena amostra dos itens que já estiveram à venda naquele espaço como noutros locais da Internet. O preço de cada um, como o de inúmeras obras de arte hoje em dia, tem essencialmente que ver com o acaso.O princípio é antigo. Sempre houve objectos vulgares que atingiam valor extraordinário por motivos subjectivos. Basta pensar nos "verdadeiros pedacinhos do cueiro do Menino" ou os "autênticos pregos que pregaram Cristo na cruz" impingidos pelos vigaristas às populações crédulas no tempo de Eça de Queirós. Aí pelo menos o negócio ainda se baseava na fé, algo profundo mesmo quando iludido. Hoje em dia inúmeras vezes as compras fazem-se apenas porque sim. Se na natureza selvagem nada se compra ou se vende, entre a espécie humana comprar é um vício. Só o nosso cérebro consegue atribuir às coisas um valor abstracto, expresso em termos numéricos. Quando esse valor tem por base uma utilidade concreta, definível, ainda pode haver um certo consenso. Quando obedece unicamente a elementos psicológicos, depressa entramos no absurdo. E não é apenas a nível do indivíduo insignificante ou do coleccionador de bizarrias que isso acontece. Se há uns séculos alguém nos dissesse que um dia haveria gente disposta a pagar fortunas por dois pedacinhos de corda suspensos de uma parede branca, ninguém acreditaria. Mas é o que hoje em dia se passa em certas galerias de Nova Iorque especializadas em "instalações". O critério aí é o da validação sociológica, por via de todo um sistema oficial (críticos, galerias, museus) que nos assegura que aquilo é, afinal, "arte".

Caso houvesse forma de relacionar os pedacinhos de corda com um evento histórico - o suicídio de Judas, digamos - eles podiam tornar-se ainda mais valiosos. Veja-se os preços que atingem objectos muito menos importantes, como a caneta de Agatha Christie ou as chuteiras de Pelé. Nessas situações, factor de investimento à parte, o que realmente se compra é o poder que esses objectos têm de evocar memórias e sensações. Evidentemente, também aí o processo depende de um sistema de validação social, com frequência falível. Quem garante que aquela caneta foi de facto usada por Agatha Christie? Se o feliz comprador da mesma um dia tomasse conhecimento de que afinal tinha havido um erro e sérias dúvidas se colocavam em relação ao vendedor e à sua história, é provável que recusasse admiti-lo, mantendo a fé no objecto que tanto prazer lhe dava.As coisas são o que nós decidimos que são. Só isso explica que haja tantos objectos absurdos à venda pelo mundo fora. Surpreendente, mais do que haver gente a vendê-las, é alguém as comprar. Há não muito tempo, surgiu a notícia de que uma jovem estaria a vender a sua virgindade na Internet. O motivo seria necessidade de dinheiro para frequentar a universidade. A jovem punha um conjunto rigoroso de condições e estabelecia um preço alto. Mesmo assim, é duvidoso que o anúncio fosse a sério. Afinal, ideia semelhante fora usada num "documentário" satírico em 2005, e já na altura houve gente que se deixou convencer. Uma parte do documentário mostrava os interessados de boa-fé a negociar com a alegada jovem disponível. O gosto duvidoso do tema - ainda hoje, em certas partes do mundo, a virgindade continua a ter um preço que se exprime em dinheiro, e que não é estabelecido pelo intelecto ou a vontade da jovem negociada - não o impediu de ser referido com jovialidade e de ser tomado sobretudo como um comentário aos negócios que se fazem na Internet, como se não estivessem em causa questões mais importantes.

Os anúncios bizarros são uma pequena minoria, tanto no eBay como no resto da Internet. Boa parte deles, aliás, revelam pouca criatividade; dois séculos após o "Fausto" de Goethe (e muitos mais após o conceito original) o que é que tem de especial vender a alma, como fazem certas pessoas? E nem a gracinha adjacente ("motivo: falta de uso") justifica a perda de tempo. Ao pé desses anúncios, qualquer tubérculo que tenha tido a sorte ou o azar de nascer com uma forma sugestiva é um festival para a imaginação. Felizmente que o eBay não proíbe a brejeirice, ao contrário do que faz com o álcool, o tabaco, as drogas, os bilhetes de lotaria, o material de guerra, a parafernália nazi, os órgãos humanos (uma importante área de negócio hoje em dia, consta) e certas ferramentas habitualmente usadas por assaltantes. Pode ser inviável encomendar um pé-de-cabra, mas facilmente se obtém uma cereja em forma de pénis. Só é pena que a brejeirice se estenda à taxidermia, onde infâmias do tipo três-sapos-em-posição-erótica (o termo técnico é "frog threesome") constituem um caso claro de abuso animal...

Já que falamos de animais, refira-se o filão inesgotável que são, no eBay como noutros lugares. Por exemplo, o jornal português "Ocasião", onde a secção respectiva merece invariavelmente consulta atenta. A par com as inevitáveis ofertas de chihuahuas, hamsters e angorás, surgem algumas propostas curiosas. Uma iguana verde que alguém queria vender ou trocar por um papagaio (?). Uma doninha, "com um ano de idade, muito mansa, boa para estar em casa". Das duas uma: ou a fama que as doninhas têm não corresponde à realidade, ou há gente que vive permanentemente com o nariz tapado e nunca recebe visitas. Outro anúncio que nos suscitou perplexidade foi o que referia um "burro, jovem, muito bonito, russo", que "procura novo dono", por "motivo à vista". Mesmo admitindo que o dito burro fosse de uma beleza eslava e o tal motivo fosse perfeitamente auto-evidente para quem o contemplasse (ou ao dono, talvez), quem diabo se podia ter lembrado de importar um burro da Rússia? Só ao fim de alguns segundos nos ocorreu que 'russo' podia ser um caso de má ortografia - atribuível ao dono, não no (outro) burro - e que poderia andar por ali escondida a palavra 'ruço', que significa cinzento.

Com a sua sobriedade exemplar e a abundância e variedade das suas propostas, distribuídas por um caderno geral e dois especializados, o "Ocasião" faria plenamente jus a um artigo próprio. Mesmo sem aparecerem lá anúncios a vender a Islândia, a namorada, a língua alemã, ou lotes na Lua e em Marte, ele tem muito com que nos entreter. A secção Outros Items (Colecções) propõe desde agulhetas de mangueira de bombeiro até aparos de tinta permanente (1500 unidades), bilhetes de futebol, bóias de navegação e algo de misterioso chamado Tazos, Slammers e Caps. Pela minha parte, todas as semanas leio a secção de informática a ver se descubro um anúncio a vender um determinado modelo de portátil, relativamente raro, igual ao que me foi roubado há umas semanas. Bem sei que o aparelho já lá vai, mas tenho curiosidade em saber quanto vale agora. Já perguntei em diversas lojas de artigos usados, mas as opiniões variam imenso, e querem-me sempre vender alguma coisa. Ora, nesta altura, não me apetece muito andar às compras.