Mostrar mensagens com a etiqueta benfica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta benfica. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de março de 2009

Lucílio Baptista "assume erro" de arbitragem.


O árbitro assume o erro cometido com o penalti que definiu a final da Taça da Liga de futebol, mas salienta que "ninguém é infalível".

O árbitro Lucílio Baptista assumiu hoje em directo no Jornal da Noite da SIC o erro cometido na final da Taça da Liga de futebol e negou qualquer indicação contrária do seu auxiliar no lance do penálti que permitiu ao Benfica empatar 1-1 frente ao Sporting.

Em entrevista à Agência Lusa, o juiz setubalense também reconheceu a sua insatisfação pela má decisão tomada no jogo de sábado, embora "ninguém seja infalível", mas defendeu que não há necessidade de pedir desculpa aos "leões", preferindo "assumir o erro, ainda por cima com influência no resultado, perante os adeptos".

"Nenhum árbitro pode ficar satisfeito depois de visionar um lance com influência no resultado. Não estou satisfeito. Na altura, foi com 100 por cento de convicção de que estava a agir correctamente", afirmou, justificando a decisão com os movimentos corporais do benfiquista Di Maria e do sportinguista Pedro Silva, assim como a mudança de trajectória da bola.

Lucílio Baptista refutou as declarações de alguns jogadores dos "leões", que afirmaram que o árbitro auxiliar José Cardinal, o mais próximo da grande área do Sporting, teria comunicado ao seu chefe de equipa uma opinião diferente, imediatamente a seguir à jogada e de forma insistente.

"Ele nunca disse que não era (penalti), apenas dizia que não viu, do sítio onde estava. Foi então que me aproximei para dialogarmos. Decidi manter a decisão porque recebi o som de retorno do outro assistente (Pais António), que tinha o mesmo ângulo de visão que eu e viu o lance exactamente como eu vi. Daí a convicção de que estava a agir correctamente", explicou.

Lucílio Baptista remeteu as revoltadas palavras de atletas, treinador e presidente do Sporting - incluindo "roubo" e "ladrão" -, para uma análise posterior, mais distanciada, escolhendo "outro caminho" do que o sugerido por Filipe Soares Franco, que exigiu um pedido de desculpa.

"O que me importa é que aconteceu um erro e temos que assumi-lo para que não volte a acontecer. Não vou por esse caminho. Vou pelo caminho de assumir o erro perante os adeptos do Sporting, do Benfica e os adeptos em geral. Há um erro no jogo que infelizmente teve influência no encontro", concluiu.

Sobre as críticas de um critério disciplinar demasiado brando, o árbitro do encontro contrariou essa ideia, revelando que a sua intenção foi "procurar privilegiar o espectáculo entre dois clubes históricos, num ambiente fantástico" para evitar paragens sistemáticas, congratulando-se com o facto de não haver registo de lesões no jogo.

Sábado, no Estádio Algarve, o Sporting inaugurou o marcador, aos 48 minutos, por intermédio de Pereirinha, mas sofreu o tento do empate aos 75, quando o espanhol Reyes converteu a polémica grande penalidade assinalada por Lucílio Baptista.

Depois de a partida ter terminado empatada a um golo, o Benfica conquistou a segunda edição da Taça da Liga no desempate por grandes penalidades (3-2), tal como tinha acontecido no ano passado, com o Vitória de Setúbal, após empate a zero, precisamente no mesmo local e frente ao Sporting.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Agressão ao árbitro no Benfica-FC Porto. "Foi um flash que me passou", diz o agressor em julgamento.

Frente a frente em tribunal, o adepto 'encarnado' e o árbitro auxiliar do jogo Benfica-FC Porto explicaram o "cachaço" de há dois meses, na Luz. Árbitro está a ser seguido por psicóloga.
Carlos Santos, totalmente careca e com uma comprida barba branca ponteaguda, não sabe o que lhe passou pela cabeça quando mascarado de Diabo decidiu invadir o relvado do estádio da Luz e agredir pelas costas o fiscal de linha José Ramalho, com um 'apertão' na zona da nuca.

O insólito episódio ocorreu durante a 1ª parte do jogo Benfica-FC Porto, da 2ª jornada do campeonato da I Liga de futebol, disputado a 30 de Agosto, foi registado pelas câmaras televisivas, mas não obrigou sequer à interrupção do dérbi que terminou empatado a 1-1.

Ao Expresso, Carlos Santos garantiu que está "arrependido e envergonhado" do que fez. Contou ao Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa que não tinha gostado que o árbitro não tivesse assinalado alguns fora-de-jogo do ataque portista e quis chamar-lhe a atenção para esse facto.

Não pretendeu magoar José Ramalho, mas tão só dar-lhe um toque: "Foi um flash que me passou", disse o agressor em julgamento. Recorda que estava na bancada central, muito próximo da vedação que separa o público do recinto do jogo, e que se limitou a sair por uma porta que estava aberta. Sem segurança nenhuma, como fez questão em repetir várias vezes.

O árbitro auxiliar, sem ter a menor ideia do que se passava nas suas costas, foi surpreendido com uma pancada forte na nuca. Um "cachaço", como especificou aos presentes. Desequilibrou-se, andou uns metros para a frente, mas não chegou a cair.

De pronto alertou, pelo intercomunicador, o árbitro principal para a agressão sofrida, mas o internacional Jorge Sousa pediu-lhe que aguentasse até ao intervalo. Atitude justificada pelo facto de em jogos com aquele nível de tensão qualquer interrupção poder criar reacções mais agressivas da parte do público.

A determinada altura do julgamento de hoje, a tentativa de esclarecimento da intensidade da agressão sofrida por José Ramalho originou uma discussão semântica em redor das expressões "calduço e cachaço" utilizados por alguns depoentes. Uma dúvida que levou o juiz a questionar por diversas vezes: "Mas foi um calduço ou um cachaço?"

Gozado e ameaçado na rua
Afastado da arbitragem, José Ramalho, árbitro há 15 anos, ficou atónito e perplexo com o que se tinha passado e questionou-se como tal tinha sido possível num jogo com tamanho grau de segurança. Na segunda-feira a seguir foi analisado no Instituto de Medicina Legal, onde lhe diagnosticaram um traumatismo cervical. Ficou sem trabalhar cinco dias.

Mas o pior não foi isso. Em casa, o seu filho de cinco anos tinha visto tudo na televisão. A mulher de José Ramalho contou que este desatou a chorar a e gritar a perguntar por que razão ninguém ajudava o pai. Na rua, nos dias seguintes e, como contou ao tribunal, até hoje, passou a ser gozado e ameaçado de levar mais "calduços".


Sem conseguir aguentar a pressão, Ramalho tornou-se mais irritadiço, à noite tinha pesadelos e deixou mesmo de arbitrar jogos em Portugal. Está a ser seguido por uma psicóloga.

Ao invés, Carlos Santos continua a não perder nenhum jogo do Benfica. Ainda na quinta-feira passada esteve na Luz. Os amigos garantiram em tribunal que é um homem pacífico, que já correu a Europa atrás da equipa 'encarnada', e não conseguem encontrar explicação para o sucedido. Segundo as suas testemunhas de defesa, a mulher e filhas ficaram duas semanas sem lhe falar depois do ocorrido.

O 'diabo de Gaia' - nome por que ficou conhecido porque, além da barbicha, vestia, nesse jogo, um 'corta vento' vermelho e tapava a careca com um gorro com corninhos, da mesma cor - é acusado de invasão de recinto desportivo e ofensa à integridade física.

A sentença será proferida na quinta-feira.