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domingo, 5 de abril de 2009

Gelo da Antártida a derreter mais depressa que o previsto.

O Instituto Geológico dos Estados Unidos revelou, no sábado, que as alterações climáticas registadas no planeta estão a derreter os glaciares antárcticos muito mais rápido do que se pensava, tendo-se verificado o desaparecimento de uma plataforma de gelo inteira.

Segundo o instituto norte-americano, as últimas imagens de satélite mostraram que pelo menos uma das enormes plataformas de gelo da região desapareceu totalmente e outra perdeu 13 fragmentos com a superfície de cerca de 8.500 quilómetros quadrados.

Apesar de já se saber a plataforma Wordie estava em retracção, a análise das imagens revelou, pela primeira vez, que esta "desapareceu completamente", indicou o instituto.

Além disso, acrescentou, confirmou-se que parte da plataforma Larsen já não existe.

"Esta análise proporciona o primeiro cenário detalhado das mudanças registadas nos glaciares e no gelo das costas da Antártida", explicou o secretário do Interior dos Estados Unidos, Ken Salazar.

"O rápido desaparecimento dos glaciares demonstra, uma vez mais, as consequências profundas que as alterações climáticas estão a registar no nosso planeta e que estão a ser mais rápidas do que se pensava", acrescentou.

"Esta continuada e contínua redução dos glaciares é uma chamada de atenção às mudanças que estão a ocorrer e para as quais é necessário estarmos preparados", alertou a especialista em glaciares do Instituto Geológico Jane Ferrigno.

"A Antártida tem um interesse especial porque contém cerca de 91 por cento de todos os glaciares da Terra e uma alteração em qualquer parte da plataforma de gelo pode significar grandes perigos para a sociedade", disse.

O anúncio de hoje foi feito dois dias antes de se celebrar em Washington o 50º aniversário do Tratado Antárctico, com um encontro dos países que subscreveram o acordo, e que será encabeçado pela secretária de estado norte-americana Hillary Clinton.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Plataforma de gelo na Antárctida por um fio.

Falta muito pouco para a plataforma Wilkins, um bloco de gelo com 415 km2 na Antárctida, desaparecer no oceano, vítima do aquecimento global.
Uma gigantesca plataforma de gelo com 415 km2, quatro vezes superior à área de Paris, está a desintegrar-se na Antárctida. Os cientistas dizem que o colapso é eminente e que só por milagre isso ainda não aconteceu.

O fenómeno agravou-se este ano. "Viemos à plataforma Wilkins para vê-la morrer, o que pode acontecer a qualquer minuto. Eu não esperava presenciar isso tão depressa", disse David Vaughan, cientista da BAS- British Antarctic Survey, o organismo que monitoriza a região.

Boa parte da plataforma está protegida apenas por uma faixa de gelo entre duas ilhas.

Segundo Vaughan, se na Primavera passada o bloco já estava ligado por um fio, agora o que o prende à península é "um filamento". Ou seja, uma franja de 40km de largura e 500 metros de espessura no seu ponto mais estreito, o que dá a essa formação um formato de ampulheta. Há 50 anos, essa faixa de gelo que a mantém coesa tinha quase 100 km de largura.

Na melhor das hipóteses, o fim ocorrerá dentro de semanas ou meses. Quando a ponte se romper, o gelo será absorvido pelo mar. Pesquisadores receiam que a ausência da plataforma possa expor glaciares formados por água fresca, cujo derretimento poderá vir a afectar o nível dos oceanos.

Processo de desintegração relâmpago
Originalmente, a plataforma Wilkins cobria 16 mil quilómetros quadrados e permaneceu estável durante a maior parte do século XX. A desintegração começou na década de 90.

Só em 1998 houve uma separação de blocos de um total de 1 000 km2, em questão de meses. Mas mesmo já tendo perdido um terço da sua superfície, a Wilkins ainda tem uma área equivalente à da Jamaica. A Antárctida tem enfrentado um aquecimento sem precedentes nos últimos 50 anos, de quase 3ºC. Em torno da plataforma em desintegração, vêem-se icebergs gigantescos no mar, onde focas vagueiam à deriva sobre blocos de gelo.

Em 1993, Vaughan fez uma previsão de que a porção norte da plataforma desapareceria dentro de 30 anos. O pesquisador foi enviado pela British Antarctic Survey ao local para registar imagens mais próximas do que as obtidas por satélite.

Na segunda-feira passada foi a primeira vez que um avião aterrou perto da parte mais estreita da plataforma Wilkins. E provavelmente a última.